Deputado imita Trump e quer vetar imigração de árabes e muçulmanos no Brasil

Por: PABLO RODRIGO 

 

O deputado federal Victório Galli (PSC) mais uma vez usou a tribuna da Câmara Federal para polemizar. Desta vez, sobre o pretexto de defender os cristãos, o parlamentar mato-grossense levantou a bandeira da "Islamofobia" defendendo que o presidente da República Michel Temer (PMDB), que tem ascendência árabe, vete a entrada de imigrantes islamicos no Brasil.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

victorio galli

 O deputado federal Victório Galli (PSC) quer vetar a imigração de árabes e mulçumanos para o Brasil

"Nós não podemos aceitar que venha mais de 1 milhão de imigrantes pra cá com essa ideologia que eles tem do islamismo", discursou Galli na tarde da última quarta-feira (14).

O discurso de Victório Galli parece ser inspirado na campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), que decretou no início do ano do fechamento temporário das fronteiras dos Estados Unidos aos imigrantes de sete países de maioria muçulmana e a refugiados de todo o mundo. 

Porém, a Justiça norte-americana suspendeu as deportações de refugiados e imigrantes que estavam ou chegariam aos Estados Unidos e que tenham vistos válidos. 

Apesar de Galli, contextualizar o seu discurso com a atual crise econômica no país, como o aumento do desemprego e os problemas na saúde pública, ele acredita que imigração tem o objetivo principal de "implantar o islamismo no Brasil".

"Nós não somos contra religião, de forma alguma, mas, o radicalismo que vão implantar aqui é muito perigoso", se contradiz Victório Galli.

O deputado que integra a "bancada da bíblia", sugere ao governo federal que faça uma "peneira" nas imigrações.

"Pedimos ao nosso presidente que possa vetar essa situação e que faça uma peneira bem firme nesses imigrantes. Porque nós não queremos que o Brasil seja islamificado", esbravejou.

"Aqui nós somos mais de 90% de cristãos e estamos vendo pelo mundo a fora , várias mortes que acontecem por briga de religião. E todas elas são feitas pelo radicalismo. A cristofobia está inflamada no mundo", justifica.

O deputado federal Victório Galli (PSC) que atualmente é coordenador da bancada federal de Mato Grosso, pertence a bancada evangélica no Congresso Nacional e cabo eleitoral do seu correligionário Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato a presidência da República, foi eleito em 2014 com 64.691 votos.

Galli já apresentou projetos polêmicos em Brasília como a tentativa de proibir a veiculação de qualquer reality show do estilo "Big Brother Brasil" e também a para criminalizar pessoas transgênero (que não se identificam com o sexo biológico) que utilizarem o banheiro de acordo com seu gênero.

Preconceito

Nos últimos anos, o preconceito contra pessoas da religião muçulmana vem aumentando, sobretudo por parte de nacionalistas europeus,

Reprodução

mesquita cuiaba

 Mulçumanos em oração na Salat Al Eid, Mesquita de Cuiabá-MT

que também criticam o movimento de entrada de refugiados em seus países. A onda anti-islâmica já existe desde os ataques às torres gêmeas em 2001. 

É preciso deixar claro que existe diferença entre árabes e muçulmanos, já que nem todo árabe é muçulmano e vice-versa.

Os árabes são os integrantes de um povo heterogêneo, originário da península Arábica, e habitam principalmente o Oriente Médio, região situada entre a Ásia e a África. As religiões predominantes entre os árabes são o islamismo, o cristianismo e o judaísmo.

Já os muçulmanos são os indivíduos que aderem ao islamismo, religião monoteísta fundada pelo pelo profeta árabe Maomé. O Alcorão é o livro sagrado do Islã, texto considerado pelos seus seguidores como a palavra literal de Deus (Alá, em árabe), assim com a Bíblia para os cristãos.