Segundo MPF, Geddel é 'criminoso em série' e faz 'carreira profissional' no crime

Agência Brasil

O MPF (Ministério Público Federal) afirmou, no pedido de prisão de Geddel Vieira Lima (PMDB), que o ex-ministro dos governo Lula (Integração Nacional), Temer (Secretaria de Governo) e ex-vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa na gestão Dilma é um "criminoso em série" e que faz "de uma dada espécie de crime sua própria carreira profissional".

Geddel foi preso na manhã desta sexta-feira (8) em Salvador (BA), por agentes da PF (Polícia Federal). Geddel cumpria prisão domiciliar, sem tornozeleira eletrônica por falta do equipamento, desde julho.

O mandado de prisão foi expedido pelo juiz federal Vallisney de Souza, da 10ª Vara Federal de Brasília. Geddel foi detido três dias após a PF encontrar R$ 51 milhões em malas e caixas de dinheiro em um apartamento na capital baiana que, segundo a Justiça Federal, seria utilizado pelo ex-ministro. As digitais do ex-ministro foram encontradas nas cédulas.

No pedido de prisão, o MPF afirmou que existe "a presença de indícios da participação de GEDDEL VIEIRA LIMA em diversos outros esquemas criminosos semelhantes ao da situação analisada, dentre os quais os investigados nas operações Lava Jato, Sépsis, Cui bono e Greenfield, como pode ser observado nos elementos probatórios já divulgados publicamente referentes às mencionadas operações".

Os procuradores federais do Distrito Federal continuam: "Noutras palavras, GEDDEL VIEIRA LIMA adequar-se-ia à figura do “serial criminal”, ou criminoso em série, ou seja, criminoso habitual que faz de uma dada espécie de crime (neste caso, crimes financeiros e contra a Administração Púbica) sua própria carreira profissional".

Para encerrar, o MPF alega que a prisão domiciliar foi insuficiente para proibir Geddel de praticar crimes: "Não se mostra viável a substituição da nova prisão preventiva que aqui se requer por medidas cautelares diversas da prisão, já que se tornaria ineficaz a garantia da ordem pública, como ora evidenciado – os novos fatos criminosos praticados pelo mencionado investigado demonstram que nem mesmo sua reclusão domiciliar foi capaz de prevenir sua atividade criminosa".

O ex-ministro Geddel Vieira Lima embarcou para Brasília, em um avião da PF, por volta das 15h desta sexta-feira.

Os R$ 51 milhões em dinheiro vivo encontrados pela Polícia Federal em um apartamento de Salvador (BA) — e atribuído pela Justiça Federal ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) — seriam suficientes para comprar sete apartamentos de luxo iguais ao que o jogador Cristiano Ronaldo possui no bairro do Morumbi, em São Paulo.

A PF organizou a operação após a Justiça solicitar a prisão preventiva do político baiano. O receio de que Geddel fugisse do País teria motivado as autoridades a realizar a prisão.

Os agentes também cumpriram hoje três mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao político em Salvador, além de um segundo mandado de prisão preventiva, contra o chefe da Defesa Civil da capital baiana.

Decisão de Vallisney

Na decisão da 10ª Vara Federal de Brasília, o juiz Vallisney de Souza Oliveira afirma que Geddel agiu de forma "sorrateira".

"A autoridade policial explica que foi realizado exame pericial no dinheiro apreendido, no qual os Peritos lograram localizar alguns fragmentos de impressões digitais de GEDDEL QUADROS VIEIRA LIMA e de GUSTAVO PEDREIRA DO COUTO FERRAZ no material. Quanto a este último envolvido, a autoridade policial aponta como sendo pessoa ligada a GEDDEL QUADROS VIEIRA LIMA, tendo sido, inclusive, indicado por ele para buscar, em 2012, valores ilícitos remetidos por ALTAIR ALVES, emissário de EDUARDO CUNHA", escreveu o magistrado em despacho.

A defesa de Geddel Vieira Lima informa que somente se manifestará "quando, finalmente, lhe for franqueado acesso aos autos, especialmente aos documentos que são mencionados no decreto prisional. Pesa dizer que o direito de defesa e, especialmente, as prerrogativas da advocacia, conferidas por lei, sejam tão reiteradamente desrespeitadas, impedindo-se o acesso a elementos de prova, já documentados nos autos".