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Preso, cabo nega grampos ilegais na AL e diz que "casamento quase acabou"

Gérson Correia fala sobre operação na AL, mas nega ter ameaçado promotor e ido a boate Crystal

O cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior, negou à juíza Selma Rosane Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, a existência de interceptações telefônicas ilegais em investigações envolvendo crimes de corrupção dentro da Assembleia Legislativa. O depoimento foi realizado na tarde desta segunda-feira (14) no âmbito da “Operação Metástase”.

Gerson prestou depoimento na condição de testemunha. Na oitiva, ele esclareceu que foi encaminhado pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) para investigar servidores sobre os supostos desvios no parlamento por meio de verba de suprimentos.  

Ele relatou que o ex-secretário de administração da Assembleia, Geraldo Lauro, e a ex-chefe de gabinete do ex-deputado José Riva, Maria Caramelo, seriam os líderes do esquema que desviou mais de R$ 2 milhões do erário. Ambos faziam tudo para proteger o ex-deputado, José Riva. Gérson contou que até uma reunião foi marcada entre os servidores para ajustar os depoimentos que seriam feitos ao Ministério Público Estadual. 

Indagado por um advogado, o militar esclareceu que não é comum a inserção sem justificava de nomes para intercepção telefônica. "Não é comum. Todos que são ouvidos são justificados com nome e CPF até para subsidiar o promotor e juiz sobre as escutas e os alvos", afirma a testemunha. Contudo, não se lembra de ter ouvido falar do servidor Mário Márcio, nem do policial “Grego”.

O cabo Gerson esclarece que ouvia as gravações telefônicas para a investigação que culminaria na "Operação Metátase". Segundo ele, depois de ouvir as gravações, elaborava um relatório para que fosse entregue a outras pessoas, e só depois aos promotores de Justiça ou delegados responsáveis. "Eu fazia um primeiro filtro com os resumos e resenhas do que ouvi. Depois passava pelo meu superior e pelo encarregado do caso, que é o promotor ou delegado. Eu assinava só os casos que participava. Mas o filtro final é do encarregado da investigação", afirma.

Ele relata que ouviu todas as interceptações dos réus na investigação, mas que não se lembra de todos os nomes. "A gravação na íntegra foi abandonada há muito tempo. Só são transcritas partes que interessam a investigação", afirma. 

Gerson afirma que edição nas gravações são realizadas, entretanto, não para mudar o sentido. "Meu superior não vai ouvir algo diferente do que eu ouvi", ressalta.

O cabo explica que a gerente de interceptações, major Valéria Fleck, têm acesso a gravação na íntegra no sistema Guardião. Segundo ele, toda marcação feita pelo analista é vista pelo gerente, que fica na mesma sala. "Não existe eu colocar algo no papel e aquilo ser a verdade absoluta", conta.

Gérson Correia está preso desde maio deste ano acusado de operar um sistema clandestino de escutas telefônicas no Estado. Na audiência, advogados levantaram a suspeita de que a prática teria ocorrido no âmbito da operação. Ele negou qualquer prática ilegal nessa, ou em outras operações. “Desconheço qualquer tipo de barriga de aluguel nessa operação ou em qualquer outra realizada no Gaeco. Então, queria ver, queria que apurassem. Estou pronto para poder colaborar”, assinala.

IDA A A BOATE

Além disso, ele foi “provocado” a responder questões relacionadas a sua prisão, como por exemplo, sobre uma suposta saída do Batalhão da Rotam, onde estava detido, para a Boate Crystal. Por conta disso, o desembargador Orlando Perri determinou a transferência dele para o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) e solicitou “reserva” de vaga no presídio federal de Campo Grande para o militar.

Correa negou as acusações e disse que a denúncia quase acabou com seu casamento. “Eu não tenho acompanhado a mídia desde que disseram que eu saí da boate Crystal e que eu ameacei promotor. Quero que comprove. Quase destruiu meu casamento", declarou numa referência ao promotor Mauro Zaque, autor das denúncias de grampos ilegais no Estado.

A "Operação Metástase" foi deflagrada em 2015 e teve como base denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE), que apontou um esquema criminoso que ocasionou prejuízo de mais de R$ 2 milhões aos cofres do Legislativo Estadual. Na ocasião, 23 servidores ou ex-servidores da Assembleia foram detidos. O esquema seria chefiado pelo então presidente da AL-MT, José Geraldo Riva (sem partido), que foi preso na 2ª fase da operação, denominada Célula Mãe.

Conforme a denúncia, o montante foi desviado por meio de valores destinados à antiga verba de suprimentos, utilizada pelos gabinetes para pequenas compras sem licitação entre R$ 4 mil e R$ 8 mil. 

Por: Folha Max